Eu sou assim. Eu guardo pra mim e não digo nada. Eu ponho um sorriso no rosto e finjo que não doí, que eu não ligo e que não me atinge. Já perdi as contas de quantas vezes impedi uma lagrima de rolar pelo meu rosto. Mais pode ter certeza que quando eu desabar vai ser feio. Quando eu me permitir chorar vai ser o choro mais triste do mundo.

Desconhecido. 
Vasos chineses se quebram. Copos de cristal, ventiladores de teto, discos da Tina Turner, se estivermos com sorte. Pessoas nunca, a não ser quando esquecem de olhar os dois lados. Mas emocionalmente falando, não. Quem sou eu pra dar pitaco na sua fossa? Ninguém. Você levou um tombo e tanto, e pronto. Se machucou, ok. Dói, eu sei. Perdeu sua capacidade de amar, verdade. Ou não. Não existem verdades, apenas versões, na minha versão. Sei bem como funciona, quantas vezes já fui dispensado do amor. Muitas. Quis quem não me queria, amei quem enganava, compartilhei unilateralmente, acreditei no sonho hollywoodiano, me quebrei, levantei, desisti, contei mentiras, interpretei. Parece propaganda de telefone celular via rádio estrelada pelo Fábio Assunção, mas é só minha versão daquele trânsito caótico de um amor para outro. Você não se quebrou, eu não me quebrei. Nascemos com a disposição natural para o amor. Falo por você e eu, não pelos bárbaros da história - Hitler, por exemplo. Sim, não conseguimos imaginar viver sem, sentimos saudade, choramos, compramos discos e livros por impulso, atravessamos sábados com calças de abrigo revisando filmes melancólicos. (…) Bem, como gosto disso de sofrer com pés na bunda, resolvi amar de novo, a contragosto, paladar típico de um desistente. Cafés da manhã românticos, passeios de mão, festas em família, palpites de sogra, distribuição de beijos e mordidas em pezinhos pequenos. Viajamos pelo mundo sem sair de casa.
Gabito Nunes. 
As estrelas que dissemos que contaríamos juntos começaram a esfriar na noite de ontem. Não virou manchete quando derramaram nanquim no meu céu. Olhar pro infinito e não ver nada é cair em si. Deixar você partir foi como cair em mim, tropeçar nos meus próprios cadarços e nos meus próprios medos, beber do meu sangue enquanto tentava me esvaziar. Ontem, quando as estrelas esfriaram, tive pena dos cigarros imaginários que fumei esperando que a fumaça incendiasse aquela espécie de ponto final que mora lá em cima. Aquela espécie de limite que quase não posso ver, onde toda e qualquer pessoa com o mínimo de sanidade deseja conhecer quando se acabar. As estrelas que dissemos que contaríamos juntos, não vimos esfriar. Mas eu vi as cinzas se transformarem em uma nova galáxia, onde eu percebi que fui deixando qualquer pessoa entrar esperando que alguma delas fosse você. Eu já não lembro mais do seu rosto, do seu nome e das suas manias, mas as estrelas que contaríamos juntos, esquecemos de contar. Você, que eu não sei quem é, faz parte de mim mais do que todos os meus outros restos. Porque cada dor que eu sinto pode ser você… Então, eu deixo lá. Acumulada como uma estrela morta e sangrada. Todas as dores são lindas como eu lembro que você era. É difícil resistir. A morte de cada estrela é um pedido realizado… Estrelas cadentes e carentes, eu diria. Ontem, meu pedido foi pra ter o que amar. O que você acha que acontece quando as pessoas morrem? Quando os cometas caem? Quando as pessoas que dizem que nunca vão partir, partem? Toda pessoa partiu pelo menos uma vez na vida. Eu me parto ao meio todos os dias. Esquecer de contar as estrelas é uma forma de fazer com que elas vivam pra sempre. E você não imagina como é triste viver pra sempre. É provável que estrelas cadentes sejam estrelas suicidas. Mas minhas estrelas, que de tão minhas são tão suas, esfriaram e caíram, todas elas. Eu sinto muito. Sinto muito se esperei demais para terminar de contar as estrelas. Se fiz elas sofrerem esse tempo todo… Se fiz o céu um pouco mais apertado pra sua alma adolescente enforcada num drama qualquer. Eu deveria ter inventado um infinito e dito que estava tudo bem. Todas as lágrimas, e toda a solidão, todas as noites, todas as luas, todas as estrelas, devidamente contabilizadas. Cada estrela que não contamos conta um segredo meu pra imensidão. Cada estrela que morre sem um funeral é por culpa minha. E, de novo, você sabe o que acontece depois da morte? Você sabe o que acontece depois da morte de uma estrela? Talvez, se eu escolhesse me matar hoje, algum dos seus desejos se tornaria realidade. Talvez, aquele seu desejo de morrer. Porque você sabe que só existe em mim e em mais ninguém. Mas eu não vou me matar hoje. Nem nunca. Só quando eu terminar de contar todas as estrelas. E sim, seria incrível se virássemos mesmo estrelas quando morrêssemos. Você é uma das minhas estrelas, e sabe disso. O que eu tenho medo, porém, é de que você caía qualquer dia desses. Ontem, eu vi uma estrela fria e suicida. Se foi você, você que eu amo e não sei quem é, tudo bem. Eu termino de contar as estrelas sozinho. De novo.
— Cinzentos 
Eu queria ter covinhas, meu dedão do pé é comprido, meu cabelo não é lisinho da Silva e eu tenho celulite. Além disso, sou impaciente, cabeçuda, coloco pouco sal na comida e não gosto de pimentão. Quer saber mais? Nunca aprendi a descascar laranjas, fico horrível de roupa marrom, meu dente entortou depois que o siso nasceu, meu dedão da mão direita é diferente do da esquerda, tenho quadril largo e sou péssima em matemática. Conto nos dedos até hoje, detesto lavar panelas, não gosto de shopping, não consigo curtir música sertaneja e me arrepio só de ver uma lagartixa ou sapo. Meu guarda-roupa vive bagunçado, não gosto de passar roupa, não sou lá muito chegada em tarefas domésticas e nunca consegui plantar bananeira. Tenho alguns medos que não me deixam, um pensamento acelerado e um humor terrível quando estou com sono ou fome. Não gosto quando eu estou falando ultra sério e você ri. Sou irônica, debochada e maldosa quando quero. Já tive pensamentos ruins a seu respeito. Mas não se preocupe: já pensei coisas ruins de mim também. E sobrevivi. Tem dias que eu só sobrevivo. E tem outros que nem eu me aguento. De vez em quando tenho vontade de colocar o pé no mundo, mas sinto falta do que ainda não vivi aqui, com você. Então eu fico e deixo tudo pra lá. Fico um pouco receosa em relação ao futuro, sabe como são as dúvidas, elas vivem nos cercando. Me preocupo demais com a minha vida, com a sua, com a de gente que mal conheço. Me importo demais com coisas, pessoas e situações que não têm tanta importância assim, não. Crio caso com pouca coisa, não sou tolerante, fico nervosa à toa e dou corda para construções tortas de pensamentos toscos. Deixei algumas oportunidades escaparem pelos meus dedos. Já me arrependi de ter falado. E de não ter dito nada quando devia dizer. Acabei me acostumando com o que não deveria. Me frustrei por não receber o que esperava, depois me culpei por ter esperado algo: a gente nunca deve esperar nada, nada, nada de alguém. Já me decepcionei com quem era importante pra mim e descobri que é assim mesmo: a gente magoa e é magoado a todo instante. E a vida é assim mesmo, muito obrigada. Nunca acreditei em lobo mau, bicho papão e mula sem cabeça, mas tenho lá meus fantasminhas e demônios que insistem em me atormentar faça chuva ou faça sol. E eu procuro me esconder embaixo da cama, entrar em labirintos, procurar esconderijos. Nem sempre consigo. Às vezes, não acredito em mim e dou muita bola para o que dizem, Então, respiro fundo, tento me achar no meio desse caos que eu sou e penso: mesmo defeituosa, eu mereço alguma paz. E vou em busca do que eu acho certo. Custe o que custar.
Clarissa Correa 
Para mim, o amor é mais ou menos como o sol. Nasce de manhã cedinho, entra pelas frestinhas da janela iluminando o quarto e o coração, deixa a vida e os dias mais bonitos. Aquece as tardes e o peito. O amor nos livra do escuro, melhora o humor e faz a gente lançar olhares abobalhados para o horizonte e para o céu. Faz a gente se despir e seca as roupas do varal. Se engana quem pensa que ele é constante. O amor às vezes queima e muda de cor. Ele pode até enfraquecer em alguns momentos do dia, mas normalmente ele é forte. O amor é está sempre se pondo. Mas, sabe, eu boto fé nisso : o amor de verdade é igualzinho ao sol. Ele sempre renasce, mesmo que alguns dias tenham nuvens e chuva forte. E brilha até o infinito.
Clarissa Corrêa. 
Vem cá, me dá um beijo bom, e um abraço bem apertado, do jeito que só você sabe dá, e me deixa ser sua música, a sua melodia mais bonita, ou o seu passatempo predileto…seja lá oque você quiser. Só me deixa ser sua.
Ela Se Declarou Pra Mim. 
O que se faz quando a única vontade que você tem é de sumir? O que se faz quando não sabe mais o que fazer? Queria poder correr léguas sem destino apenas correr, correr até desaparecer e não sobrar mais nada do meu corpo e minha mente, deve seria muito bom ter esse poder, não sobrar nem um átomo do seu corpo para se refazer, então fico pensando o que fazer? Pois é eu que nunca fui de desistir de nada, de enfrentar tudo, de ajudar a todos estou aqui perdida e sem rumo, mas quem sabe se eu começar a correr agora, e em algum momento eu consiga apenas sumir
Florejus
Se conhecessem meu desespero, não julgariam minha dor como exagero.
Destroços de uma vida acabada, Otávio L. Azevedo 
A gente se entrega nas menores coisas.
Caio F. Abreu.
Não se aproxime muito. É escuro aqui dentro.
Imagine Dragons. 
Vem cá, me dá um beijo bom, e um abraço bem apertado, do jeito que só você sabe dá, e me deixa ser sua música, a sua melodia mais bonita, ou o seu passatempo predileto…seja lá oque você quiser. Só me deixa ser sua.
Ela Se Declarou Pra Mim. (Rennan Alves)